Mozart explica saída do Cruzeiro, conta bastidores e diz que G4 é viável Técnico confirmou ter pedido demissão do clube após maus resultados O técnico Mozart Santos confirmou ter pedido demissão do Cruzeiro depois do empate por 2 a 2 com o Londrina, na última sexta-feira, no Mineirão, pela 15ª rodada da Série B. O resultado manteve o time na zona de rebaixamento, em 18º, com 13 pontos. Mozart não deu detalhes se houve uma conversa prévia com a diretoria, já que o clube não poderia contratar um terceiro técnico se optasse pelo desligamento sem justa causa. O treinador entendeu que o seu trabalho não trazia o resultado esperado e abriu caminho para outro profissional. “Foi um pedido demissão simples, para que o clube pudesse contratar outro profissional, e vida que segue”, resumiu, em entrevista ao Superesportes. O ex-comandante da Raposa garante que o seu sucessor herdará uma base bastante consolidada. “Pode ter certeza que o treinador que chegar vai pegar um padrão de jogo legal (...). Os resultados viriam comigo, mas é óbvio e justo que se troque depois de nove jogos sem vencer, não levo isso para o lado pessoal, e sim para o profissional. Mas tenho certeza que o time vai ter resultado, muito pela herança boa de desempenho que vai pegar”. O cenário de momento mostra o Cruzeiro com mais de 50% de chance de ser rebaixado à Série C, segundo o Departamento de Matemática da UFMG. Contudo, Mozart confia que ainda é possível brigar pelo acesso. Para ele, basta ao novo técnico emplacar sequência de três ou quatro vitórias e mudar o astral do grupo. Vale lembrar que o Náutico, líder da segunda divisão, soma 30 pontos, e o Avaí, 4º, tem 26. “Na Série B deste ano não existe nenhuma equipe que esteja praticando um grande futebol. Diferentemente do América, da Chapecoense e do próprio CSA, que praticavam um futebol bem melhor do que está sendo praticado hoje na Série B. Então é possível sim”. Por que o trabalho não deu certo? “Eu tenho uma filosofia bem definida, mas nem sempre é possível aplicar em todos os clubes. Talvez eu tenha demorado para entender as características do meu elenco. Tanto é que na minha opinião, e sendo bem criterioso, tirando o jogo contra o Avaí, que foi atípico, nós tivemos um desempenho melhor nos últimos jogos. Mas infelizmente quando não tem resultado positivo, fica difícil sustentar um trabalho. As próprias ideias acabam se fragilizando, porque você tem ideias de futebol, mas precisa atrelar a bons resultados. Infelizmente esses resultados não aconteceram. Vejo que a minha saída simplesmente se deu pela falta de resultados”. “Dou o exemplo do jogo contra o Londrina. Na minha humilde opinião, fomos bem superiores ao adversário. Sou bem justo nas análises dos jogos, e quando o adversário é melhor que minha equipe, sou o primeiro a admitir. Mas nesse jogo, especificamente, fomos muito superiores. Criamos quatro ou cinco chances claras de gol, mas não fizemos. No fim das contas, o que vale é o resultado, principalmente na situação em que nos encontramos. O resultado final foi um 2 a 2. Infelizmente, os episódios da minha passagem não foram favoráveis. E prefiro resumir ao fator campo, pois não gosto de entrar em outros méritos que não fazem parte da minha competência. Os resultados não aconteceram, então é normal que tenha uma troca”. Como foi o pedido de demissão? “Foi um pedido demissão simples, para que o clube pudesse contratar outro profissional, e vida que segue”. As mudanças constantes na escalação atrapalharam? Seja por lesão, suspensão ou escolha técnica... “Quando você chega num clube, (o ideal) é encontrar os 11 titulares por desempenho e seguir com esses 11 num esquema definido. Durante a competição e os treinamentos, você coloca aquele que está em melhor momento. O cenário ideal é esse. Mas, infelizmente, não cheguei num cenário ideal, onde, na minha opinião, não havia um sistema de jogo definido. Particularmente, gosto do 4-3-3 com um volante e dois meias, que é o sistema que predominantemente aplico nas minhas equipes. Mas, na minha visão, esse elenco não tinha característica para desenvolver esse sistema, daí tive que começar a fazer mudanças, muitas delas por necessidade física e outras por lesão e suspensão. O 3-4-3 é um sistema que joguei por muito tempo na Itália como atleta e também me identifico como treinador. Com esse sistema talvez tivemos os melhores desempenhos. A vitória contra a Ponte Preta foi assim, o empate criando três ou quatro oportunidades boas contra o Vila Nova foi assim. O empate com o Londrina, criando situações de gols, foi assim. Então é isso. Talvez em outro clube que for vou fazer tanta mudança? Espero que não precise, né?! Daí eu encontro o melhor sistema e uma equipe base para poder seguir. Infelizmente não cheguei em um cenário ideal, e as mudanças foram por necessidade”. #CRUZEIRO #CABULOSO